luishpenha

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A nova ordem social

... há cerca de um ano li um artigo (acho que foi uma das últimas traduções da “The Economist” para a finda Gazeta Mercantil) que falava do drama na Alemanha. Os comentaristas que moram lá podem ter mais dados. Falava algo como que 30% dos alemães atuais morrerão sem nunca terem filhos. Isso é uma opção de vida que requer imigração para se sustentar. Dos 70% que “reproduzem” a maioria prefere ter filhos únicos. (Meu único parente lá, um primo, é um ótimo exemplo: ele é um filho único, casado com uma filha única. A filha única deles é casada com um filho único. Esse casal jovem decidiu ter apenas uma filha única. Bom, essa menina (hoje tem 13 anos) tem 4 avôs vivos mas nenhum primo, nenhum tio e talvez nunca terá um sobrinho!)

Isso muda muita coisa.

Eu fico pensando se daqui a alguns anos, quando alguém disser "hoje vou para a casa dos meus tios", as pessoas vão olhar entre si e após algum tempo "ah, irmão da sua mãe/do seu pai". E o que vai ser do Natal, de quem as pessoas vão ganhar presentes?

Isso também vai fazer com que as pessoas se tornem mais simpáticas. Se hoje alguém não é simpatico(a), pelo menos tem (alguém d)a família que gosta dele -- e se não gosta, pelo menos finge que gosta, e isso já é alguma coisa.

Enfim, estou curioso para saber no que nossa sociedade irá se transformar.